É consenso que a inovação é parte vital para o futuro das empresas. Mas como se adaptar a um mundo em que as inovações surgem e desaparecem em um espaço de tempo cada vez mais curto? Por isso, ser digital é fundamental. Em sua palestra “Empresas do Século XX, Pessoas do Século XXI”, durante o CIAB FEBRABAN 2017, o professor Gil Giardelli, especialista em cultura digital e um dos destaques do congresso de TI, alertou: “Antes, a curva de inovação era algo que demorava 100 anos, depois 50 anos, depois 30 anos; agora é ‘barbatana de tubarão’ (conceito usado para ilustar ciclos de vida curtíssimos de produtos e serviços)”.

Como exemplo, Giardelli citou que, a cada ideia que alguém tivesse naquele momento, em média, outras 430 pessoas no mundo teriam o mesmo objetivo. No entanto, segundo o professor, apenas três colocariam “essa ideia para funcionar”.

Luiz Michelini / FEBRABAN

Gil Giardelli, especialista em cultura digital, fez apresentação com o robô Nao no CIAB FEBRABAN 2017; para o professor, brasileiro é muito criativo, mas pouco inovador

O conferencista também criticou o baixo nível de inovação da população. “O brasileiro é muito criativo, mas pouco inovador. Ele tem dezenas de ideias criativas, mas coloca pouco dessas ideias para funcionar”, afirma. De acordo com Giardelli, apenas 9% dos executivos brasileiros têm um nível avançado de inovação, contra 33% no mundo.

A falta de inovação pode levar ao desaparecimento da companhia, segundo o especialista em cultura digital. Na palestra, ele lembrou a falência da Blockbuster, maior rede de locadoras de filmes e videogames do mundo, em 2011. “Em dois anos, a Blockbuster saiu de valor de mercado de US$ 5 bilhões para a quebra total.”

Outro destaque do CIAB FEBRABAN 2017, o empreendedor e professor Tiago Mattos destacou, durante a palestra “O futuro do trabalho e as empresas do século 21”, que uma das características dos inovadores é não ter medo de arriscar, de errar e saber aprender. “É preciso se tornar um especialista em aprender”, afirma Mattos, acrescentando que, no futuro, os profissionais terão que trocar inúmeras vezes de carreira, o que exigirá uma constante reinvenção. “Cada vez mais as pessoas das novas gerações vão ter várias atividades ao longo da vida”, afirmou. “Talvez a gente ache isso estranho, mas existem vários estudos que indicam que uma pessoa (que esteja) atualmente no ensino médio, terá, ao longo de sua vida profissional, cinco carreiras diferentes.”

Luiz Michelini / FEBRABAN

“É preciso se tornar um especialista em aprender”

— O empreendedor e professor Tiago Mattos afirma que no futuro os profissionais terão, em média, cinco carreiras diferentes

Durante o painel, Mattos ressaltou ainda que “quanto mais único é o jeito de pensar, mais escassa é a inovação e criatividade”. Um dos problemas, segundo ele, é que “a maioria das empresas está se digitalizando, e não está se transformando em uma empresa digital”. “Se a gente se inspirar na economia clássica, seremos uma empresa de 1780”, analisa.

Para Mattos, as empresas precisam de um modelo verdadeiramente digital, pois é neste meio que terão que competir. “Provavelmente, a maioria dos profissionais não está observando a verdadeira concorrência”, alerta. “A concorrência do Santander não é o Itaú, a concorrência do Itaú não é o Banco do Brasil, a concorrência do Banco do Brasil não é o Santander: a concorrência desses bancos são coisas que ou não existem ou estão sendo lançadas agora”, afirma.

Na avaliação dos dois especialistas, é necessário romper a estrutura tradicional. Por exemplo, quem trabalha sozinho, ou com um grupo reduzido, pode estar limitando-se e prejudicando a própria companhia. “Todo mundo quer inovação, mas a gente quer inovação na outra rua, no outro departamento, na outra área”, enfatiza Giardelli, acrescentando que “nenhum de nós é tão inteligente quanto todos nós juntos”. “Quando você faz isso, muda a hierarquia nas empresas”, destaca.

Segundo o especialista, há companhias com faturamento bilionário, como a empresa dona da Cartier, que “estão acabando com o cargo de CEO (executivo-chefe), porque acreditam que este tipo de profissional trava a inovação”. Para ser empreendedor e inovador, Mattos afirma que é preciso deixar de lado o excesso de planejamento. “Quem planeja demais não faz nada, porque quem planeja, em vez de estar fazendo, está planejando”, concluiu.