O Radar FintechLab 2017, mapa das fintechs no Brasil feito pela consultoria Clay Innovation, não deixa dúvidas: 2016 foi o ano em que o país Brasil despertou, de fato, para negócios inovadores que apostam em tecnologias disruptivas capazes de transformar a oferta de serviços financeiros. Há uma revolução em curso. Em agosto de 2015, havia 54 fintechs no Brasil. Em fevereiro de 2017, o número chegou a 247, um crescimento de 357,41% em 18 meses.

Além de aumentar, o ecossistema de fintechs amadurece e se sofistica. O país já conta com 41 aceleradoras de negócios nascentes, conforme a Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). Em 2016, as startups financeiras formaram a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs) e, desde então, viram a proliferação de programas corporativos de aceleração e a criação de fundos de investimentos que miram seus negócios. Também passaram a merecer uma maior atenção dos órgãos reguladores: o Banco Central deverá abrir, em agosto, uma audiência pública para discutir a regulação de fintechs de crédito.

A tecnologia passou a fazer parte da vida financeira da população numa época em que, no país, o número de smartphones - que devem chegar a 208 milhões em outubro de 2017 - quase empata com o de clientes bancários (239 milhões). É natural que oportunidades na área financeira como pagamentos, empréstimos, negociação de dívidas ou venda de seguros sejam cada vez mais exploradas e justifiquem a multiplicação das fintechs.

No Brasil, as fintechs atuam principalmente em pagamentos (32%), gestão financeira (18%) e empréstimos (13%). “As fintechs apostam em áreas em que os bancos trabalhavam mal, como consultoria e gestão financeira, com soluções mais eficientes e voltadas ao usuário”, diz Marcelo Bradaschia, sócio da Clay Innovation.

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“Ninguém inova sozinho”

— Marcelo Bradaschia, sócio da Clay Innovation

Conforme a pesquisa, cerca de 80% das fintechs no país passaram da fase de validação de seu modelo de negócio e têm clientes pagantes. Com soluções de inteligência artificial, blockchain, chatbots (ferramenta que simula um ser humano em conversa com o usuário), big data & analytics – partes integrantes da corrida dos bancos rumo ao digital - é nítida a mudança de postura das instituições financeiras em relação a esses negócios.

Para Fernando Freitas, superintendente-executivo de Inovação do Bradesco, as tecnologias disruptivas, que permitem derrubar barreiras de adoção com custo baixo, surgem hoje primeiro nessas startups. “Isso leva o banco a deixar de olhar apenas os fornecedores tradicionais de sua cadeia. A própria cadeia está sendo alterada”, diz.

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“O desafio é encontrar bons empreendedores e bons modelos de negócios. Dinheiro não será problema”

— Fernando Freitas, superintendente-executivo de Inovação do Bradesco

Se em um primeiro momento o sentimento em relação às fintechs era de desconfiança, hoje os bancos passam a enxergar essas empresas como fontes de soluções que agregam valor aos seus negócios. No passado, boa parte das inovações financeiras era feita dentro dos próprios bancos. “Hoje, há um ambiente mais colaborativo e as fintechs ocupam um importante espaço”, diz Gabriel Ferreira, diretor-executivo de Varejo, Marketing e Inovação Digital do Banco Votorantim.

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“Fintechs ocupam espaço importante em ambientes colaborativos para a inovação”

— Gabriel Ferreira, diretor-executivo de Varejo, Marketing e Inovação Digital do Banco Votorantim

A prática tem mostrado que a maioria das fintechs não representa concorrência, mas uma operação complementar aos negócios dos bancos. Um exemplo são as fintechs de empréstimos pessoais que captam clientes no mercado e fazem cotações com várias instituições financeiras. Outro são startups de recuperação de crédito que se “acoplam” às plataformas dos bancos e melhoram a experiência dos usuários.

O diretor de CRM & Plataforma Multicanal do Santander, Cassius Schymura, não tem dúvida: a relação com as fintechs é uma oportunidade de fazer negócios.

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“Relação com as fintechs é uma oportunidade de fazer negócios”

— Cassius Schymura, diretor de CRM & Plataforma Multicanal do Santander

“As fintechs podem ser agregadas como parceiras ou podemos adquiri-las também”, diz. O cenário é replicado em outros bancos, e a conexão entre bancos e fintechs ganha novas peças no quebra-cabeça, em três frentes distintas: aquisições, parcerias e investimentos.

“Ninguém inova sozinho”

Os centros de empreendedorismo e inovação abertos (Cubo, do Itaú, e inovaBra, do Bradesco) marcaram o início da aproximação entre os dois universos. Hoje, a relação ganha novos contornos, a começar pelas aquisições. O Santander finalizou, no início de 2016, a compra da ContaSuper (do SuperBank), sistema digital de pagamentos e cartões pré-pagos. É esperado que esse tipo de movimento decole no futuro. “Através de aquisição ou investimento em participação, grandes empresas incorporam soluções. Ninguém inova sozinho”, diz Bradaschia.

As parcerias também se avolumam. Um dos pilares do Next, o banco digital do Bradesco, foi a Sensedia, fintech que participou da primeira turma do inovaBra. “Foi ela quem construiu as APIs (interfaces para permitir a conexão de aplicativos) para conectar o Next ao legado do banco”, diz Freitas. Em 2015, o BMG fez um acordo com a fintech alemã Lendico para ter um braço de captação de clientes, no modelo de correspondente bancário. Em outra frente, o banco mineiro montou o BMG Digital Lab, para trabalhar com startups no desenvolvimento de produtos e serviços que tenham conexão com o negócio do banco. “O banco já assinou contratos de parcerias com oito startups”, diz Eduardo Mazon, diretor-executivo do banco mineiro.

Conforme o FintechLab, mais de R$ 1 bilhão foram investidos em fintechs no Brasil até 2016, e 72% já receberam aportes. O fenômeno é global, como atesta uma pesquisa recente do instituto de pesquisas CB Insights. Em 2016, foram 836 aportes, que superaram US$ 12,7 bilhões, alta de 408% em quatro anos. Nos dois últimos anos, além dos tradicionais fundos de investimento, novos atores passaram a aportar recursos nessas empresas, a exemplo de empresas de tecnologia e instituições financeiras, que estruturam fundos para investir nasfintechs. É a aposta no modelo de corporate venture capital, em que grandes empresas financiam o crescimento de startups e se aproveitam de soluções inovadoras que podem ser acopladas ao seu negócio.

Cofres abertos

Em julho de 2014, o Santander lançou o fundo de investimentos Santander InnoVentures, com foco em fintechs e fôlego para investir US$ 200 milhões. Entre as investidas estão iZettle (soluções e pagamento), Elliptic (blockchain) e Kabbage (empréstimos). O fundo tem um mandato global e pode investir em todos os mercados, inclusive na América Latina. “O fundo identifica e apoia as melhores fintechs com o objetivo de se aproximar da onda de inovação disruptiva e garantir que os clientes do banco se beneficiem dos últimos projetos”, diz Schymura.

O Bradesco lançou, em novembro de 2016, o inovaBra Ventures, apoiado por um Fundo de Investimento em Participações (FIP) com capital proprietário, ou seja, que utiliza recursos do banco e não está aberto a cotistas. Com R$ 100 milhões, o fundo já investiu em três fintechs, que receberam aportes entre R$ 3 milhões e R$ 10 milhões. As aquisições partem da estratégia de que aproximar-se de empresas que usam tecnologia de fronteira poderá alavancar os negócios do banco. “O desafio é encontrar bons empreendedores, com conhecimento consolidado na tecnologia e bons modelos de negócios”, diz Freitas. “Dinheiro não será problema.”

Startups de tecnologia terão papel fundamental na transformação digital de diferentes segmentos da economia. Essa é a opinião do COO da Microsoft Participações, Franklin Luzes. Assim, fomentar esse ecossistema de inovação e tornar as soluções mais próximas dos grandes atores do mercado é uma necessidade, além de resolver um problema que muitas das fintechs enfrentam: o acesso a financiamento.

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Para Franklin Luzes, COO da Microsoft, startups de tecnologia terão papel fundamental na transformação digital de diferentes segmentos da economia

“Estima-se que a taxa de mortalidade das empresas de tecnologia é de 22% globalmente; no Brasil, é de 30%”, diz. As causas mais comuns são brigas entre sócios, falta de demanda e escassez de capital e financiamento.

Com o objetivo de resolver o último problema, a Microsoft Participações lançou, em março de 2014, o BR Startups, um fundo que atende a uma das principais demandas de investimento, a de empresas que precisam de valores entre R$ 400 mil e R$ 2 milhões, o chamado “vale da morte” das startups. A lógica é simples: com uma cadeia bem estruturada de investidores-anjo e de aceleradoras, os investimentos até R$ 400 mil são abundantes no Brasil. O mesmo ocorre com aportes superiores a R$ 2 milhões, geralmente feitos por fundos de private equity. Financiar o meio termo é o desafio.

No modelo de dívida conversível, o fundo tem prazo de 10 anos. Os investimentos devem se realizar até 2020, com mais três anos de prazo de desinvestimento – os investidores terão opção de adquirir participação nas fintechs. Com R$ 27 milhões de capital comprometido e perspectiva de encerrar 2017 com mais de R$ 50 milhões investidos, o fundo é aberto a grandes empresas. Investidores-âncora direcionam os aportes parastartups de suas áreas, a exemplo da Monsanto com asagritechs (agricultura), a BB Seguridade com as insurtechs (seguros) e o Banco Votorantim com as fintechs .

O Banco Votorantim elegeu quatro grandes áreas de interesse ao selecionar as fintechs: pagamentos, empréstimos, negociação de dívidas e funding/investimentos. O banco fez um primeiro aporte, de R$ 3 milhões, já investiu em uma fintech (um marketplace de cobrança) e se prepara para investir em uma segunda empresa, da área de investimentos. Executivos do banco são mentores das fintechs e ajudam no desenvolvimento das soluções. “Não é apenas o dinheiro que atrai os empreendedores, mas o know-how do banco”, diz Ferreira. “Vamos testar formatos inovadores de cobrança em parceria com a primeira empresa investida.”

Dataholics, FullFace e Tem vencem Fintech Day 2017

Um marketplace de negociação de dívidas, um aplicativo que captura selfies e assinaturas digitais, robôs inteligentes que interagem com usuários, soluções de inteligência artificial para análise de crédito. Essas foram apenas algumas das soluções apresentadas durante o Fintech Day 2017, competição que envolveu 21 startups de serviços financeiros durante a última edição do CIAB FEBRABAN, ocorrida entre 6 e 8 de junho. Ao final do dia de apresentações, as vencedoras foram Dataholics, FullFace e tem.

Fundada em 2015 pelo CEO Daniel Mendes, 40 anos, a Dataholics é uma fintech de big data. A empresa oferece soluções de marketing para empresas por meio do mapeamento das informações coletadas dos usuários no Twitter, Facebook ou na internet, detectando os produtos ou serviços mais apropriados a cada um. A empresa também oferece um serviço de crédito para empresas e instituições financeiras, denominado SocialScore, que leva em consideração o contexto de vida das pessoas: preferências, viagens, hábitos de consumo etc. “O Score resolve um problema grande para as empresas que é a dependência dos bureaux de dados tradicionais, que não refletem a realidade dinâmica da vida das pessoas”, diz Mendes. Sete clientes já têm contratos com a fintech.

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Tuca Ramos, da Tem; Danny Kabiljo, da FullFace; e Daniel Mendes, da Dataholics: vencedores do Fintech Day 2017

Na FullFace, fundada em 2012 pelo empreendedor Danny Kabiljo, 39 anos, a aposta foi no desenvolvimento de soluções de biometria na identificação de usuários, para garantir maior segurança em controles de acesso e autenticação de identidade. A empresa desenvolveu um algoritmo próprio de biometria facial, para tablets e smartphones, por exemplo. Com a leitura de 1.024 pontos da face e acurácia de 99%, a empresa cria um “código” único para cada pessoa. As soluções tradicionais analisam até 86 pontos faciais. “É uma espécie de RG facial”, diz Kabiljo. A empresa já tem 10 clientes de diferentes segmentos, entre eles, empresas de segurança pública, farmacêuticas e companhias aéreas.

Já a Tem, fundada em 2014 pelo empreendedor Tuca Ramos, 38 anos, apostou em um cartão-pré-pago exclusivo para serviços de saúde, que permite a pessoas com menor nível de renda o acesso a consultas e exames médicos e odontológicos em uma rede credenciada de clínicas particulares, com economia média de 60%. Já foram emitidos 200 mil cartões e a rede credenciada atinge 4,2 mil pontos no País. Ramos espera faturar R$ 6,6 milhões em 2017. “Hoje, 75% da população brasileira não possui plano de saúde e o tempo médio de espera por exames no sistema público é de 180 dias”, diz ele.

Para a definição das fintechs vencedoras, o time de sete jurados – especialistas do mercado e executivos de instituições financeiras - levou em conta fatores como a capacidade de atender a necessidade do cliente e agregar valor à experiência; a inovação e a simplicidade da tecnologia; a audácia (a capacidade da tecnologia em solucionar grandes problemas) e a “escalabilidade” – o potencial da solução para ser aplicada em maior escala no futuro (Felipe Datt).

Fintech: App Renda Fixa

Solução: App permite a pesquisa e consulta de investimentos em renda fixa, em diversas corretoras no mercado

Fintech: Dataholics

Solução: Análise de risco e crédito utilizando dados não estruturados do cliente (encontrados em redes sociais como Twitter, Facebook e outras fontes públicas na internet)

Fintech: Flowsense

Solução: App de geolocalização que permite acompanhar o deslocamento do cliente e oferecer produtos e serviços de forma segmentada

Fintech: FolhaCerta

Solução: Aplicativo para gestão de funcionários e rotinas trabalhistas (banco de horas, jornada de trabalho etc)

Fintech: FoxBit

Solução: Plataforma para a compra e venda de ativos digitais (bitcoins)

Fintech: FullFace

Solução: Biometria facial para identificação de pessoas com 99% de precisão

Fintech: Moneto

Solução: Aplicativo voltado para a gestão de cobranças de Microempreendedor Individual (MEI) ou trabalhador autônomo

Fintech: Mutual

Solução: Marketplace de crédito que conecta pessoas e negócios em busca de dinheiro e investidores dispostos a emprestar

Fintech: Nexoos

Solução: Marketplace de empréstimos voltado a pequenas e médias empresas, que conecta pequenas empresas a investidores pessoa física

Fintech: OriginalMy

Solução: Sistema de assinatura digital, certificação e registro de documentos (como contratos) utilizando tecnologia blockchain

Fintech: OvermediaCast

Solução: Plataforma para a criação de robôs (bots) utilizados em vídeos para explicar o funcionamento de produtos ou tirar dúvidas dos clientes

Fintech: paySmart

Solução: Personalização remota de cartões físicos, pulseiras contactless e cartões virtuais

Fintech: PhDRisk

Solução: Uso de inteligência artificial em análise de risco e crédito, para reduzir inadimplência

Fintech: Portfy

Solução: Marketplace de portabilidade de crédito que permite a clientes encontrar melhores taxas e transferir dívidas

Fintech: Quanto Gastei

Solução: Plataforma de controle financeiro pessoal que permite listar receitas e despesas, lembretes de pagamento etc

Fintech: Quartilho

Solução: Marketplace para negociação de recebíveis que conecta fabricantes, fornecedores e financiadores

Fintech: QueroQuitar

Solução: Marketplace de negociação de débitos que permite ao devedor fazer propostas para quitação de dívidas com os bancos

Fintech: Simply

Solução: O Aplicativo permite a captura dos documentos, selfies, assinatura digital, biometria digital, declaração por voz e checklist de atividade.

Fintech: Tasken Debt

Solução: Plataforma de negociação baseada em robôs que oferece ao devedor a conveniência de negociar as dívidas por smartphone

Fintech: Tem

Solução: Administradora de cartões que atua na intermediação de pagamentos conectando usuários de baixa renda a clínicas de saúde particulares

Fintech: Wizfee

Solução: Plataforma que conecta bancos a empresas de pequeno porte para otimizar o desempenho financeiro do negócio

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Apresentação durante o Fintech Day no CIAB FEBRABAN 2017

Programa para conquistar e reter clientes mirins vence 1º Hackaton

Uma solução que permite aos pais administrarem a mesada dos filhos por meio de um cartão pré-pago e que, por tabela, possibilita aos bancos iniciarem o relacionamento com clientes que nem chegaram à adolescência, foi a vencedora do 1º Hackaton realizado no CIAB FEBRABAN 2017. No total, foram mais de 400 programadores, desenvolvedores e empreendedores inscritos que apresentaram soluções tecnológicas disruptivas voltadas ao mercado financeiro. Os 83 selecionados formaram 16 grupos e participaram de uma maratona de desenvolvimento que durou 48 horas.

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Integrantes da equipe vencedora do 1º Hackaton CIAB FEBRABAN: batizado Kibank, projeto permite aos pais cadastrar os filhos no próprio app do banco

Batizado Kibank, o projeto vencedor permite aos pais cadastrar os filhos no próprio app do banco. Dessa forma, crianças a partir de sete anos de idade podem usar a mesada por meio de um cartão físico ou um cartão pré-pago digital (que pode ser empregado no consumo de produtos e serviços comuns para essa faixa etária, como jogos virtuais, por exemplo). Tudo monitorado pelos pais. “Os pais podem estabelecer metas de gastos e conseguem acompanhar o desempenho de poupança dos filhos”, explica o desenvolvedor Willian Polis, 32 anos, idealizador do Kibank. Para os bancos, a ferramenta abre caminho para que as crianças se tornem correntistas da instituição ao atingirem a idade adulta.

O Kibank venceu, em voto popular, outros três projetos selecionados no Hackaton, apresentados dias depois ao público no CIAB FEBRABAN 2017. Competiram A Play for all (integradora de múltiplas plataformas de pagamento), UX-Match (ferramenta de validação de documentos de identidade) e Plimwallet (uma solução que permite ao usuário cadastrar seus documentos pessoais de forma digital, que serão validados e poderão ser acessados pelas empresas). Os desenvolvedores do Kibank foram premiados com três meses de estadia no espaço de coworking CO.W. e reuniões nas sedes de pelo menos dois bancos, para apresentarem a solução.

“É um produto com grande apelo e que pode chamar a atenção de bancos, investidores e aceleradores”, diz Marcelo Assumpção, gerente de Relacionamento de Eventos da Febraban (Felipe Datt).