As expressões “estar no azul” ou “no vermelho”, que sempre estiveram entre as mais usadas no vocabulário das instituições financeiras, ganharam outra companhia colorida: agora é o “verde” que entra para valer em cena e marca ações do dia a dia, serviços, produtos e inovações no setor bancário.

Com iniciativas que vão da abertura de contas digitais à substituição de terminais de autoatendimento e incremento na reciclagem de máquinas e equipamentos, o setor financeiro adapta-se à legislação ambiental e avança no uso de tecnologias para se tornar cada vez mais sustentável. E “verde”.

A Sinctronics, empresa de Sorocaba que atua como recicladora de eletroeletrônicos, já recebe uma média de 100 caixas eletrônicos e de 40 mil a 50 mil máquinas de cartões (POS) por mês desde que começou a atender neste ano empresas que integram a indústria de serviços financeiros.

A recicladora também recebe cerca de 100 quilos de resíduos por mês de outras unidades do grupo americano Flex, a quem está ligada. Desde maio, a Sinctronics notou aumento de 35% a 40% nos descartes de materiais do setor financeiro. “A renovação da tecnologia, com a troca por equipamentos mais eficientes e inteligentes, e a busca por segurança na hora de descartar produtos, com a garantia de proteção das marcas, contribuíram para que recebêssemos mais resíduos do segmento bancário”, diz Mileide Cubo, gerente de operações da Sinctronics.

Divulgação

Terminais de autoatendimento enviados para a recicladora Sinctronics são reaproveitados e materiais, como plástico, voltam para a cadeia de produção

A empresa mantém em Sorocaba (SP), junto à fábrica, um centro de inovação em que desenvolveu soluções para que empresas clientes acompanhem de forma online todo o processo de descarte do resíduo, desde a coleta até a destruição final com a emissão de um certificado. O reaproveitamento dos materiais é quase total: 95% deles são reintroduzidos na cadeia, 5% são enviados para processos de coprocessamento e zero vai para o aterro.

Mesmo com o crescimento total de 30% no volume total de reciclagem na Sinctronics, principalmente em itens como cartuchos, suprimentos e caixas eletrônicos de bancos, a empresa ainda usa apenas um terço de sua capacidade.

Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento e os avanços nos processos de reciclagem ainda não foram suficientes para que o Brasil adquirisse tecnologia para reaproveitar placas eletrônicas, exportadas para Canadá, Bélgica, Alemanha, Japão e Cingapura, capazes de recuperar os metais preciosos nelas contidos.

O que é feito na empresa do interior paulista é a trituração e a separação de metais ferrosos, cobre e alumínio, explica a gerente da recicladora. “De dez passos necessários para a reciclagem total das placas, hoje são feitos três. Em breve, devemos chegar a sete.” Os circuitos são enviados ao Canadá, que tem a tecnologia final para 100% de reaproveitamento.

Entre os clientes da Sinctronics estão Cielo, OKI (fabricante de caixas eletrônicos, que também reutiliza parte de seus resíduos em Jundiaí, onde mantém um centro de reciclagem) e HP (produz impressoras e cartuchos). Há seis meses, outras empresas do setor financeiro passaram a procurar a recicladora.

No Bradesco, a reciclagem de ATMS (terminais de autoatendimento) atingiu 27.522 máquinas de 2010 a 2017 – mais de 300 por mês.

O Banco do Brasil faz a modernização de 5 mil a 6 mil terminais por ano, segundo a vida útil do equipamento (dez anos, em média). Desde 2007, o banco tem parcerias com entidades e associações de catadores em empreendimentos solidários que geram renda com a reciclagem de materiais.

O Santander destinou para a reciclagem 546 ATMs, quase 8 mil CPUs de computadores e 15 mil telefones e acessórios no ano passado.

Através do programa Descarte Legal, a Caixa doa seus resíduos eletroeletrônicos a cooperativas de catadores de materiais recicláveis capacitadas por meio de acordo com o Instituto GEA - Ética e Meio Ambiente. Em 2016, 10.728 resíduos e 121 ATMs geraram R$ 117 mil em vendas aos cooperados de 11 municípios.

Parte dos bancos também já faz leasing operacional com o sistematrade-in para adquirir notebooks, terminais, impressoras. Assim, as instituições fazem a locação do produto e o devolvem no fim do contrato ou o adquirem por preço menor, reduzindo custos de propriedade.

O fabricante é responsável pelo descarte final de forma ambientalmente adequada, como prevê a legislação. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamentada pela lei 12.305, de 2010, mais conhecida como a lei da logística reversa, prevê que a responsabilidade pela destinação final dos resíduos é compartilhada por todos em todas as etapas da cadeia. Isso inclui não só quem fabrica, mas quem distribui e até quem consome.

Mesmo antes da lei, as instituições já desenvolviam programas para os resíduos eletrônicos que geram. “Desde 2008, realizamos a destinação ambientalmente adequada dos resíduos de equipamentos eletroeletrônicos. Com a lei, passamos a discutir com os fornecedores sobre logística e manufatura reversa”, diz Denise Hills, superintendente de Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú Unibanco. “Hoje, já estão em vigor alguns contratos em que compartilhamos a responsabilidade das máquinas com os fabricantes e os fornecedores.”

Divulgação

“Hoje, já estão em vigor alguns contratos em que compartilhamos a responsabilidade das máquinas com os fabricantes e os fornecedores”

— Denise Hills, do Itaú

A OKI é uma das fabricantes com parcerias no setor. “Os bancos têm incorporado a preocupação com a destinação final de seus resíduos eletrônicos e se interessam em conhecer os processos de logística reversa disponíveis”, afirma Romilson Bastos, diretor de Comunicação e Sustentabilidade da OKI Brasil. De janeiro a junho deste ano, a empresa destinou ao reaproveitamento o equivalente a mais de 2 mil ATMs.

Com a evolução das maquininhas de pagamento por meio de cartões (uso de tecnologias que permitem a troca de informações por transmissão sem cabo e por aproximação, por exemplo), o segmento das adquirentes também movimenta a reciclagem de resíduos eletrônicos.

“As soluções de pagamento baseadas em tecnologias virtuais e alternativas sem utilização de papel contribuem significativamente para a redução de impactos relacionados às mudanças climáticas”, diz Gleice Donini, gerente de Sustentabilidade da Cielo.

A executiva diz que a logística reversa é um processo estruturado há anos na companhia. No ano passado, foram 277 mil quilos de cabos e fontes e 316 mil de máquinas POS e material de marketing encaminhados para reciclagem ou coprocessamento.

“A área financeira certamente é uma das que mais recicla”, diz Paloma Cavalcanti, gerente de Sustentabilidade da HP Brasil. “Tanto em função da necessidade de contínua melhoria na eficiência e performance do parque tecnológico, como em virtude dos programas de sustentabilidade que envolvem ter o cuidado necessário com a reciclagem dos equipamentos das instituições.” Somente em um dos bancos clientes da HP houve troca do parque de informática e coleta de equipamentos de mais de 3.000 agências espalhadas pelo Brasil.

A HP tem projetos em parceria com o setor bancário que incluem a geração de indicadores de TI verde. “Envolve calcular os savings [economia] de energia (por meio do programa de eficiência energética ecarbon footprint calculator [calculadora de pegada de carbono]) e redução de emissões, além de prover soluções de reciclagem para os equipamentos da HP ou de outras marcas”, explica.

Na ponta

Medidas como envio de extrato online, abertura de contas e contratos assinados de forma digital também são adotadas pelo setor para incentivar clientes a usar cada vez menos papel.

O Bradesco tem 4,6 milhões de clientes que abriram mão de extratos impressos e vê avanço de 41% no uso de canais digitais. “Com o projeto Abertura de Contas - Digitização, a conta corrente do cliente já nasce digital, sem a necessidade da impressão no momento da abertura”, diz Luiz Carlos Angelotti, diretor-executivo do Bradesco.

Divulgação

“Banco tem 4,6 milhões de clientes que abriram mão de extratos impressos”

— Luiz Carlos Angelotti, do Bradesco

O banco testa ainda o programa “Agência sem papel”, que estuda documentos possíveis de ser digitalizados, eliminados ou até automatizados nas agências. Em fase de teste também está a instalação de placas fotovoltaicas em agências para avaliar e aferir os resultados do uso de energia solar. Esses sistemas devem suprir, em média, 40% do consumo total de energia dessas agências.

Na Caixa, o SMS é meio usado para informar clientes sobre a movimentação do FGTS e economizar nos impressos. Funcionários do banco recebem, desde agosto, fatura de cartão pelo aplicativo, internet banking ou e-mail.

Iniciativas como o Programa de Ecoeficiência do Banco do Brasil incentivam a redução de impactos ambientais nas atividades da instituição, além da criação de agências verde, com reuso de água e energia solar.

Com 502 salas de áudio e videoconferência dentro e fora do país, o número de bilhetes aéreos e gasto com táxi caiu drasticamente, segundo o BB, que tem o cuidado de calcular o benefício ambiental da medida: de janeiro a outubro, com a realização de 18.668 videoconferências, o banco evitou a emissão de 10.256 toneladas de CO² e economizou R$ 35 milhões.

“A digitalização também contribui para diminuição do consumo de papel. Setenta por cento das transações bancárias foram em canais digitais”, diz Wagner Siqueira, gerente-executivo de responsabilidade socioambiental do BB.

Divulgação

“Setenta por cento das transações bancárias foram em canais digitais”

— Wagner Siqueira, do Banco do Brasil

Um dos focos prioritários no Santander é reduzir a geração de resíduos. “Com iniciativas de gestão interna como as impressões centralizadas e o ‘Clique único’ (aprovação digital de contratos), reduzimos em 23% a geração de resíduos de papel”, diz Karine Bueno, superintendente-executiva de Sustentabilidade do banco.

Divulgação

“Reduzimos em 23% a geração de resíduos de papel”

— Karine Bueno, do Santander

O Itaú também oferece, por meio de um seguro residencial, serviços ambientais aos clientes. O segurado pode solicitar a coleta de resíduos eletrônicos, eletrodomésticos e móveis para o descarte correto, além de receber orientação para o consumo consciente de água, energia e dicas de reciclagem de lixo.

A coleta gratuita de equipamentos descartados de informática da marca HP já acontece há anos na companhia. Após o consumidor preencher um formulário no site, a empresa faz a retirada de forma gratuita, diretamente na casa ou empresa dele ou envia um voucher para ele entregar o material à HP pelos Correios.

De troca de iluminação a economia de papel e coleta seletiva, de mudança de processos a reaproveitamento de resíduos e compostagem de orgânicos, as ações do setor só tendem a aumentar, uma vez que os consumidores estão muito mais atentos ao que banco oferece e faz dentro e fora de suas instituições.

“Na qualidade de consumidor de equipamentos tecnológicos, em escala significativa, o setor bancário tem papel relevante na cadeia reversa de resíduos de equipamentos eletroeletrônicos”, diz Mara Luisa Alvim Motta, gerente nacional de Sustentabilidade e Responsabilidade Socioambiental da Caixa. “O comprometimento dos bancos influencia tanto na produção e oferta desses produtos, quanto na destinação desses resíduos de forma sustentável.”

Setor investe em tecnologia e reciclagem para ser “mais verde”

Instituições financeiras adotam diversas ações para estimular iniciativas sustentáveis dentro e fora do banco e cortar custos

Bradesco

  • Programa “Agência sem papel”: em fase de estudo para o levantamento de documentos que podem ser digitalizados, eliminados ou até automatizados nas agências
  • Canais Digitais: as transações realizadas por esses meios passaram de 3,6 bilhões em 2008 para 12,5 bilhões em 2016
  • Campanha “Boa Impressão”: reduziu 104 milhões de páginas impressas desde 2015
  • Reciclagem de ATMs: 27.522 máquinas de autoatendimento foram recicladas de 2010 a 2017

Infoemail: 4,6 milhões de clientes abriram mão de extratos impressos

  • Campanhas internas: arrecadam resíduos tecnológicos de funcionários, como celulares, computadores, impressoras etc
  • Máquinas de depósito imediato: equipamentos com função de reciclagem de cédulas começaram a ser distribuídos em 2017, o que diminui gastos com carros fortes para abastecimento e transporte

Projeto “Abertura de Contas - Digitização”: a conta corrente é aberta de forma digital, sem a necessidade de impressão de papéis

Banco do Brasil

  • Modernização de terminais de autoatendimento e reaproveitamento sustentável de peças dos terminais descartados
  • Programa de Ecoeficiência: incentiva otimização nos processos e redução de impactos ambientais; mobiliza os funcionários para a causa hídrica e outras ações de educação ambiental; economia de 19,6 milhões de kWh no consumo de energia elétrica no BB evitou despesa de R$ 13 milhões em 2016
  • Videoconferência: 502 salas de áudio e vídeo em todo o país e no exterior permitem economia com bilhetes aéreos, reembolsos de táxi e menor emissão de carbono; em 2017, de janeiro a outubro, foram 18.668 conexões de videoconferências, que evitaram a emissão de 10.256 toneladas de CO² e um custo de R$ 35 milhões

Criação do portal do Programa Água Brasil, em parceria com a WWF Brasil, com diversas ações realizadas: 1 milhão de mudas plantadas, 36 mil toneladas de água economizadas, 74 mil toneladas de resíduos sólidos comercializados pelas cooperativas de reciclagem

  • Terminais inteligentes: instalação de 300 equipamentos que reciclam cédulas e permitem o depósito de dinheiro em espécie sem a necessidade de envelope; a previsão é expandir a utilização dessas máquinas
  • Projeto Cataforte: habilita desde 2007 empreendimentos econômicos solidários; nos últimos três anos foram 33 cooperativas e associações de catadores preparadas com recurso de R$ 30,5 milhões
  • Atendimento digital: 70% das transações bancárias são por canais digitais
  • Programa Coleta Seletiva do BB: criado em 2008, recolhe resíduos sólidos recicláveis não perigosos (papel, plástico, metal e vidro) em 1.575 locais e outros 1.114 estão em processo de implementação; em 2016, 549,3 toneladas de resíduos foram para a coleta pública, com 400 associações e cooperativas de catadores envolvidos

Extratos digitais: 16 milhões de correntistas já deixaram de receber faturas de cartão de crédito por meio físico

Itaú Unibanco

  • Digitalização de serviços e processos: permitiu redução de 20,5% no volume de papel usado em 2016 comparado ao ano de 2015
  • Aplicativo Itaú: 2 milhões de usuários ativos em 2016 contribuem para a redução no uso de papel
  • Projetos Ecoeficientes aos clientes: viabilizam planos de reutilização/captação da água da chuva, telhado “verde” e construção/reforma sustentável
  • Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS): funciona em todos os prédios administrativos, desde 2008 dá destinação adequada aos resíduos eletroeletrônicos

Seguro Residencial com serviços ambientais aos clientes: o segurado solicita a coleta de resíduos (eletrônicos, eletrodomésticos e móveis) para descarte correto, tem orientação especializada para consumo consciente (água, energia e dicas de reciclagem de lixo)

  • Redução de 6,95% no volume usado de papéis entre 2015 e 2016
  • Ações de ecoeficiência operacional no banco: de redução das emissões de gases do efeito estufa (GEE) até o consumo de água e energia
  • Aquisição de notebooks e outros itens de tecnologia prevendo o “pós-vida útil” desses equipamentos, com retorno aos fabricantes e reciclagem
  • Resíduos orgânicos (como restos de comida) gerados nos restaurantes são destinados para compostagem; redução de 15 toneladas de geração de resíduos que deixaram de ser enviados para compostagem e aterro após fornecedor de serviços de alimentação aperfeiçoar preparação de alimentos nos prédios administrativos
  • Centro Tecnológico de Mogi Mirim (CTMM) utiliza equipamentos mais eficientes que consumem menos energia e tomam menos espaço, além de estar equipado com tecnologia de ponta

Edital de Compromisso com o Clima: plataforma em parceria com a Natura, para captar projetos de compensação das emissões de gases do efeito estufa

Caixa

  • 10.728 resíduos eletroeletrônicos geraram R$ 110 mil em vendas para os cooperados em 2016 e 121 ATMs, contribuíram para o valor de R$ 7 mil em renda para cooperados
  • Leasing operacional com trade-in para aquisição de notebooks e ATMs: banco faz locação e devolve equipamento no final do contrato ou o adquire por preço residual, reduzindo custos de propriedade
  • Coleta Seletiva Solidária Caixa: começou em 2008, se expandiu para todas as unidades em 2010 e prevê que resíduos recicláveis descartados sejam destinados a associações ou cooperativas de catadores de materiais recicláveis
  • Contas de FGTS recebem SMS sobre movimentações, depósitos, créditos, saques, em vez de comunicado impresso – no caso de trabalhadores com acesso a celular que fazem a adesão
  • Projeto Eficiência: funcionários da Caixa recebem desde agosto fatura de cartão pelo app Cartões CAIXA, Internet Banking Caixa (IBC) ou e-mail; economia é de R$ 1 milhão por ano
  • Bilhetes da Loteria Federal usam papel com certificação e tintas sustentáveis à base d’água no lugar de solventes de petróleo; há ainda a reutilização de embalagens
  • "Consumo Responsável de Água": o tema será usado em 6 milhões de calendários do banco, com a inclusão de um QR Code (no calendário), que direcionará para um página na internet com iniciativas socioambientais apoiadas pelo banco e sugestões para mudança de hábito no uso responsável da água

Programa Descarte Legal: doação de resíduos eletroeletrônicos para cooperativas de catadores de materiais recicláveis capacitadas ocorre em 11 municípios por meio de acordo com o Instituto GEA - Ética e Meio Ambiente

Santander

  • Aprovação digital de contratos, criada com o “Clique único”, e iniciativas de gestão interna, com impressões centralizadas, resultaram em corte de 23% na geração de resíduos de papel
  • Substituição na iluminação: lâmpadas fluorescentes (que contêm mercúrio) foram trocadas por 380 mil lâmpadas LED até 2016

Compostagem de resíduos orgânicos: feita nos principais edifícios administrativos, permitiu aumento de 138% no volume de resíduo compostado, com 250 toneladas em 2016 e redução de 38% no envio desses resíduos à aterros; é usada na manutenção da jardinagem dos edifícios do banco

  • Gestão dos resíduos eletrônicos: equipamentos são destinados à reciclagem no fim da vida útil; em 2016 foram reciclados 546 ATMs, quase 8.000 CPUs de computadores e 15 mil telefones e periféricos
  • Redução de 1.253 toneladas de papel em 2016 com o desenvolvimento de produtos e serviços digitais, com 20% de economia

Tecnologia impulsiona economia verde

A tecnologia também é aliada das instituições financeiras em negócios que incorporam as questões ambientais, sociais e de governança - e representam inovações não só para o sistema bancário, mas também para outros segmentos empresariais, para o governo e para os consumidores.

A importância da tecnologia nas estratégias de negócios é evidente em um dos projetos apoiados pela FEBRABAN na área de sustentabilidade: a contribuição da Federação e de outras entidades empresariais para a implantação do Cadastro Ambiental Rural, o CAR, o registro obrigatório criado para ajudar a regularização ambiental das propriedades rurais no país. É um dos avanços mais notáveis no esforço para incorporar as preocupações ambientais com as demandas do financiamento agrícola.

Imagens de satélite dos biomas Cerrado e Mata Atlântica, cedidas pelo Ministério do Meio Ambiente, foram transformadas em mapas georreferenciados que detalham para cada município destes biomas o uso do solo, identificando as áreas de vegetação nativa a serem preservadas e o passivo ambiental a ser recuperado. “Só há um jeito de fazer isso de forma econômica - o uso do monitoramento remoto via satélite ou por meio de drones”, afirma Mario Sergio Vasconcelos, diretor de Relações Institucionais da FEBRABAN.

Além do apoio à implementação do CAR, a FEBRABAN realiza uma série de estudos sobre questões ambientais, em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces).Entre eles, o estudo do risco do desmatamento, feito em parceria, também, com a organização ambiental CDP, para identificar os riscos e oportunidades nas cadeias da soja, pecuária, produtos florestais e palma. Outro projeto busca definir modelos para o financiamento da recomposição florestal em propriedades rurais de clientes que identificaram, por meio do CAR, passivos ambientais.

Cibele Barreto

Mario Sergio Vasconcelos, diretor de Relações Institucionais da FEBRABAN, destaca a importância da tecnologia para viabilizar iniciativas voltadas à construção de uma economia de baixo carbono, essencial à mitigação das mudanças climáticas

Em ambas inciativas, são necessárias bases de dados que permitam a identificação por parte dos bancos de áreas desmatadas e de áreas recuperadas e, desta forma, disponham de informações para a análise de risco socioambiental nas operações de crédito. Estas bases de dados só são viáveis com forte apoio tecnológico. “Um número cada vez maior de investidores está estabelecendo políticas que valorizam a gestão de riscos de desmatamento”, diz Vasconcelos.

“Em 2017, segundo os relatórios do CDP, 380 investidores institucionais com ativos de US$ 29 trilhões pediram a mais de 500 empresas que divulgassem como gerenciam seus riscos diretos e indiretos do desmatamento”, informa ele.

O diretor da FEBRABAN destaca a importância da agroindústria para a economia brasileira, um setor que representa 23,6% do PIB e é responsável por 46,6% das exportações do país. “É necessário um enorme suporte de tecnologia para obter os ganhos de produtividade nas commodities”, afirma. “Já se fala em agricultura de precisão, ou seja: todas as atividades do plantio até a colheita nas fazendas contam com tecnologias que permitem obter o máximo de produção.” De acordo com Vasconcelos, a tecnologia também permite mapear a correta aplicação dos recursos destinados a financiar as safras e estimar a produção esperada.

Mais projetos

A FEBRABAN conduz iniciativas voltadas à sustentabilidade nos negócios há mais de 10 anos. Um exemplo é a adesão dos maiores bancos brasileiros aos Princípios do Equador, em 2003 - diretrizes para gestão de riscos e impactos socioambientais no financiamento de projetos. Mario Sergio Vasconcelos também destaca o acordo de Paris, que indicou a urgência de aumentar a oferta de recursos financeiros para ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, em volumes que exigirão a criação de novos instrumentos de financiamento, e a participação de governos e do setor privado.

O financiamento bancário voltado aos setores da economia de baixo carbono tem avançado no Brasil. Em 2016, 18,8% dos empréstimos à pessoa jurídica foram direcionados à chamada Economia Verde – um avanço de 2,1 pontos percentuais em relação a 2015, quando a carteira de crédito a pessoas jurídicas para este segmento representou 16,7% do total. Os dados são de 15 bancos, que representam quase 90% da carteira de empréstimos para pessoas jurídicas do setor.

Recentemente, a Anbima – Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais, com o apoio da FEBRABAN, mediu, pela primeira vez, as emissões de títulos das instituições do mercado de capitais voltadas para a Economia Verde. O levantamento mostrou que, em 2016, o dinheiro captado no ano com emissão de títulos chegou a aproximadamente R$ 25 bilhões – cerca de 21,1% do total emitido em todos os setores econômicos (R$ 116 bilhões). O levantamento considerou apenas o chamado “dinheiro novo”, ou seja, emissões novas de debentures, ignorando as reemissões, além de bonds e emissões primarias de ações.

Os bancos também estudam e analisam a gestão e precificação do carbono e seus possíveis impactos nas instituições financeiras, empresas e atividades econômicas. Estudos sobre a economia verde podem ser acessados no site da FEBRABAN em https://portal.febraban.org.br/pagina/3085/43/pt-br/sfn-economia-verde.